Filhos em Risco: O Preço da Falsa Vida de Influenciadores
Gente, vamos conversar sobre um assunto sério que começou com uma foto polêmica – a de uma criança com uma bolsa de R$ 15 mil – mas que revela um sintoma profundo da nossa sociedade: a ostentação nas redes sociais e as suas graves consequências para nossas crianças e adolescentes.
Aqui nos “Saberes da Roça”, valorizamos o que é real, o que tem raiz. E é por isso que essa cultura da “vida de vitrine” nos preocupa tanto.
O Mecanismo da Ilusão: Mais que Fotos, uma Estratégia
Você já reparou como cresceu o número de influenciadores que baseiam seu conteúdo em exibir luxo? Corpos perfeitos à base de cirurgias e anabolizantes, viagens caríssimas, carros importados, mansões e roupas de grife. Eles perguntam a opinião dos seguidores sobre qual item de luxo usar, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Não se engane: isso raramente é um compartilhamento genuíno da vida. Como bem aponta a análise, isso é uma estratégia de vendas disfarçada.
Muitas vezes, logo após a foto do relógio de um milhão de reais, vem uma legenda de “Glória a Deus”, criando uma aura de bênção para justificar a riqueza e, quem sabe, aliviar a culpa. O objetivo final é vender algo: cursos que prometem sucesso fácil, roupas, cosméticos, suplementos e até as perigosas apostas online (as “bets”). O que eles vendem é uma fantasia, e essa fantasia pode custar caro para quem assiste.
O mais grave é quando usam as próprias crianças como vitrine para vender moda infantil, brinquedos e até itens de luxo, uma prática que, vale lembrar, é proibida pela legislação brasileira por ser considerada publicidade infantil velada.
O Impacto na Mente Jovem: “Ter” se Torna Mais Importante que “Ser”
O cérebro humano, por natureza, adora comparar. Quando um jovem vê essa exibição de poder e riqueza, uma fantasia é ativada: “Olha o que você poderia ter se fosse como eu, se comprasse o que eu vendo”.
O cérebro de uma criança ou adolescente, ainda em formação e sem um senso crítico totalmente desenvolvido, é uma presa fácil para essa armadilha. Mergulhadas por horas nesse universo digital, elas começam a acreditar que aquela é a única realidade que importa. A felicidade passa a depender de ter a bolsa da moda, a maquiagem do momento ou o corpo “perfeito” da influenciadora.
Isso gera uma inversão de valores perigosíssima:
- A aparência se torna mais importante que o caráter.
- O trabalho honesto e a vida simples são desprezados.
- A infância é abandonada; a brincadeira dá lugar ao desejo de “ser influenciador”.
- Crianças exigem dos pais marcas e produtos que a família não pode comprar.
As Cicatrizes Invisíveis: Da Insatisfação à Doença
O resultado inevitável dessa comparação constante com uma fantasia editada e inalcançável é uma profunda e infinita insatisfação. A vida normal, com seus desafios e alegrias simples, parece sem graça.
Essa autodepreciação abre a porta para um sofrimento imenso:
- Queda brutal da autoestima e ódio ao próprio corpo.
- Busca por soluções mágicas, como remédios e suplementos perigosos.
- Desenvolvimento de transtornos alimentares graves, como anorexia e bulimia.
- Aumento dos casos de ansiedade, depressão e até automutilação.
A angústia só aumenta quando elas olham para o lado e veem que as próprias amigas também editam suas vidas, ostentando festas e viagens, criando um ciclo tóxico de comparação sem fim.
O Antídoto da Vida Real: Resgatando os “Saberes da Roça”
Então, o que nós, pais e mães, podemos fazer? A resposta está em fortalecer os valores que o mundo digital tenta apagar. É trazer os “saberes da roça” para dentro de casa.
- Converse e Desmistifique: Assista a esses conteúdos com seus filhos. Pergunte o que eles sentem ao ver aquilo. Ajude-os a desenvolver um pensamento crítico, a entender que aquilo é uma vitrine filtrada, montada para gerar inveja e desejo de consumo.
- Cultive os Valores do “Ser”: Mostre, na prática, que a vida real é muito mais rica. Incentive:
- Amizades de verdade, olho no olho.
- Brincadeiras ao ar livre, contato com a natureza.
- Uma vida com propósito, alegria e simplicidade.
- O prazer de aprender coisas novas, ler um livro, ouvir música.
- A convivência com outras crianças e adolescentes em ambientes saudáveis.
- Pratique a Gratidão: Ensinar a gratidão pelo que se tem de verdade – uma família, um prato de comida, saúde, um amigo – é o remédio mais poderoso contra a comparação tóxica.
Quem compra a ilusão da ostentação paga um preço altíssimo com o próprio dinheiro, com a autoestima e, o mais importante, com a saúde mental. Nossa missão é garantir que essa conta não chegue para os nossos filhos. Vamos juntos fortalecer as raízes deles na realidade, no afeto e nos valores que realmente importam.
Acreditamos que a troca de experiências fortalece a todos. Qual a sua reflexão sobre esse tema? Conte para a gente nos comentários e ajude a enriquecer nossos ‘Saberes da Roça’.
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