Carregando agora
×

Filhos em Risco: O Preço da Falsa Vida de Influenciadores

Filhos em Risco: O Preço da Falsa Vida de Influenciadores

ostentando-bolsa-cara-roberto-justus-1024x593 Filhos em Risco: O Preço da Falsa Vida de Influenciadores

Gente, vamos conversar sobre um assunto sério que começou com uma foto polêmica – a de uma criança com uma bolsa de R$ 15 mil – mas que revela um sintoma profundo da nossa sociedade: a ostentação nas redes sociais e as suas graves consequências para nossas crianças e adolescentes.

Aqui nos “Saberes da Roça”, valorizamos o que é real, o que tem raiz. E é por isso que essa cultura da “vida de vitrine” nos preocupa tanto.

O Mecanismo da Ilusão: Mais que Fotos, uma Estratégia

Você já reparou como cresceu o número de influenciadores que baseiam seu conteúdo em exibir luxo? Corpos perfeitos à base de cirurgias e anabolizantes, viagens caríssimas, carros importados, mansões e roupas de grife. Eles perguntam a opinião dos seguidores sobre qual item de luxo usar, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Não se engane: isso raramente é um compartilhamento genuíno da vida. Como bem aponta a análise, isso é uma estratégia de vendas disfarçada.

Muitas vezes, logo após a foto do relógio de um milhão de reais, vem uma legenda de “Glória a Deus”, criando uma aura de bênção para justificar a riqueza e, quem sabe, aliviar a culpa. O objetivo final é vender algo: cursos que prometem sucesso fácil, roupas, cosméticos, suplementos e até as perigosas apostas online (as “bets”). O que eles vendem é uma fantasia, e essa fantasia pode custar caro para quem assiste.

O mais grave é quando usam as próprias crianças como vitrine para vender moda infantil, brinquedos e até itens de luxo, uma prática que, vale lembrar, é proibida pela legislação brasileira por ser considerada publicidade infantil velada.

 

O Impacto na Mente Jovem: “Ter” se Torna Mais Importante que “Ser”

O cérebro humano, por natureza, adora comparar. Quando um jovem vê essa exibição de poder e riqueza, uma fantasia é ativada: “Olha o que você poderia ter se fosse como eu, se comprasse o que eu vendo”.

O cérebro de uma criança ou adolescente, ainda em formação e sem um senso crítico totalmente desenvolvido, é uma presa fácil para essa armadilha. Mergulhadas por horas nesse universo digital, elas começam a acreditar que aquela é a única realidade que importa. A felicidade passa a depender de ter a bolsa da moda, a maquiagem do momento ou o corpo “perfeito” da influenciadora.

Isso gera uma inversão de valores perigosíssima:

  • A aparência se torna mais importante que o caráter.
  • O trabalho honesto e a vida simples são desprezados.
  • A infância é abandonada; a brincadeira dá lugar ao desejo de “ser influenciador”.
  • Crianças exigem dos pais marcas e produtos que a família não pode comprar.

 

As Cicatrizes Invisíveis: Da Insatisfação à Doença

O resultado inevitável dessa comparação constante com uma fantasia editada e inalcançável é uma profunda e infinita insatisfação. A vida normal, com seus desafios e alegrias simples, parece sem graça.

Essa autodepreciação abre a porta para um sofrimento imenso:

  • Queda brutal da autoestima e ódio ao próprio corpo.
  • Busca por soluções mágicas, como remédios e suplementos perigosos.
  • Desenvolvimento de transtornos alimentares graves, como anorexia e bulimia.
  • Aumento dos casos de ansiedade, depressão e até automutilação.

A angústia só aumenta quando elas olham para o lado e veem que as próprias amigas também editam suas vidas, ostentando festas e viagens, criando um ciclo tóxico de comparação sem fim.

criancas-passando-tempo-ao-ar-livre-em-uma-area-rural-curtindo-infancia-683x1024 Filhos em Risco: O Preço da Falsa Vida de Influenciadores

O Antídoto da Vida Real: Resgatando os “Saberes da Roça”

Então, o que nós, pais e mães, podemos fazer? A resposta está em fortalecer os valores que o mundo digital tenta apagar. É trazer os “saberes da roça” para dentro de casa.

  1. Converse e Desmistifique: Assista a esses conteúdos com seus filhos. Pergunte o que eles sentem ao ver aquilo. Ajude-os a desenvolver um pensamento crítico, a entender que aquilo é uma vitrine filtrada, montada para gerar inveja e desejo de consumo.
  2. Cultive os Valores do “Ser”: Mostre, na prática, que a vida real é muito mais rica. Incentive:
    • Amizades de verdade, olho no olho.
    • Brincadeiras ao ar livre, contato com a natureza.
    • Uma vida com propósito, alegria e simplicidade.
    • O prazer de aprender coisas novas, ler um livro, ouvir música.
    • A convivência com outras crianças e adolescentes em ambientes saudáveis.
  3. Pratique a Gratidão: Ensinar a gratidão pelo que se tem de verdade – uma família, um prato de comida, saúde, um amigo – é o remédio mais poderoso contra a comparação tóxica.

Quem compra a ilusão da ostentação paga um preço altíssimo com o próprio dinheiro, com a autoestima e, o mais importante, com a saúde mental. Nossa missão é garantir que essa conta não chegue para os nossos filhos. Vamos juntos fortalecer as raízes deles na realidade, no afeto e nos valores que realmente importam.

Acreditamos que a troca de experiências fortalece a todos. Qual a sua reflexão sobre esse tema? Conte para a gente nos comentários e ajude a enriquecer nossos ‘Saberes da Roça’.

Share this content:

Após uma vida completamente urbana, eu meu esposo e meus quatro filhos (ainda pequenos) decidimos mudar radicalmente: largar tudo e morar no campo. Quero aqui compartilhar um pouco de minhas experiências, aprendizados e novas paixões!

Publicar comentário

plugins premium WordPress
Verified by MonsterInsights