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Flores de Inverno: Guia Completo para um Jardim Colorido

Flores de Inverno: Guia Completo para um Jardim Colorido

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O Inverno Também é Tempo de Flor: Desmistificando a Jardinagem no Frio

 

Quando o vento frio começa a soprar e a gente busca um agasalho, é comum olhar para o jardim e pensar que ele vai entrar em um longo sono cinzento até a chegada da primavera. Mas essa é uma ideia que a gente, que vive com a mão na terra, sabe que não é bem verdade. O inverno, com seus dias mais curtos e noites frescas, é na verdade um convite para um espetáculo de cores e formas que muitas plantas esperam o ano todo para mostrar. Mesmo quem tem só um cantinho na varanda ou uma jardineira na janela pode criar um cenário alegre e cheio de vida, provando que a beleza da natureza não tira férias.   

O segredo não está em lutar contra a estação, mas em entender o que ela oferece. Muitas das flores mais vistosas que temos são, na verdade, sensíveis ao calorão do nosso verão. O inverno, especialmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, traz as temperaturas amenas e a umidade na medida certa que essas espécies precisam para se desenvolver em todo o seu potencial. Para o jardineiro, isso significa uma mudança de perspectiva: o inverno não é o fim da temporada de jardinagem, mas o começo de uma nova, com um elenco diferente de estrelas. Além disso, a natureza nos dá uma mãozinha: com o clima mais úmido e menos evaporação, a necessidade de rega diminui, ajudando a economizar um recurso tão precioso como a água.   

Para ter sucesso nesse cultivo, basta se apoiar em três pilares simples que a gente aprende no campo: escolher as plantas certas para a estação, preparar um bom berço para elas com terra fofa e bem drenada, e ter atenção com a quantidade de água e de luz, que é diferente nesta época do ano. Com esse conhecimento, qualquer jardim, grande ou pequeno, pode se transformar em uma pintura viva durante os meses mais frios.

 

As Joias do Jardim de Inverno: Um Guia Detalhado Flor por Flor

 

Aqui, vamos conversar sobre algumas das flores mais jeitosas para se ter no inverno. Para cada uma, vamos detalhar o ciclo de vida, o preparo do solo, a adubação, a rega e a poda, tudo explicado de um jeito simples, como quem fala da lida no campo.

Amor-perfeito (Viola x Wittrockiana): A Carinha Colorida do Inverno

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Retrato da Flor

Se tem uma flor que é a cara do inverno, é o Amor-perfeito. Não é à toa que muitos a chamam de a “rainha dos jardins no inverno”. Com suas pétalas aveludadas que parecem formar uma “carinha” simpática, ela traz uma delicadeza que encanta qualquer um. Originária da Europa e da Ásia, essa planta é um híbrido que resulta do cruzamento de diferentes espécies do gênero.   

Viola. No Brasil, é também conhecida por nomes como Amor-perfeito-de-jardim e Violeta-borboleta. Sua paleta de cores é um verdadeiro arco-íris, indo de tons únicos a combinações bicolores e degradês que pintam qualquer canteiro.   

Ciclo de Vida: A Verdade sobre ser Perene, Anual ou Bienal

Existe uma certa confusão sobre o ciclo de vida do Amor-perfeito, e é importante esclarecer isso. Botanicamente, em condições ideais de clima e solo, ele é uma planta perene, ou seja, poderia viver por vários anos. No entanto, na prática da jardinagem, a história é outra. Após a primeira floração intensa, a planta tende a perder o vigor e a beleza, ficando mais “esgalgada” e com menos flores. Por essa razão, a maioria dos jardineiros a cultiva como uma planta anual ou, no máximo, bienal. Isso não significa que o cultivo falhou; é apenas o comportamento natural da planta. O melhor a fazer é planejar o jardim sabendo que, para manter os canteiros sempre vibrantes, os amores-perfeitos provavelmente precisarão ser replantados a cada nova estação fria.   

Plantio e Solo: Onde e Como Plantar Amor-perfeito

O Amor-perfeito é uma planta que gosta de mostrar sua beleza sob a luz. Por isso, precisa de sol pleno para se desenvolver bem e florir com abundância. O berço ideal para ele é um solo bem fofo, fértil, rico em matéria orgânica e, o mais importante, com ótima drenagem para não encharcar as raízes. Ele é muito versátil e pode ser plantado em vasos, jardineiras ou diretamente nos canteiros, onde forma belos maciços coloridos e bordaduras. A melhor época para a semeadura é durante o outono e o inverno.   

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Adubação: O Alimento para uma Floração Exuberante

Para que o Amor-perfeito mostre todo o seu potencial, uma boa alimentação é fundamental. No momento do plantio, seja em vaso ou no canteiro, é recomendado misturar à terra adubos orgânicos como esterco bem curtido ou húmus de minhoca. Para a adubação de manutenção, que vai garantir flores por mais tempo, pode-se usar um fertilizante do tipo NPK com a formulação 4-14-8. O número do meio (14), que representa o Fósforo (P), é mais alto justamente para estimular a produção de flores.   

Rega: Mantendo a Umidade na Medida Certa

O segredo da rega do Amor-perfeito está no equilíbrio. O solo deve ser mantido sempre úmido, mas nunca encharcado. Em dias mais secos ou com vento, pode ser necessário regar diariamente, de preferência pela manhã e no final da tarde, com um jato de água suave, tipo “chuveirinho”. Uma dica importante é evitar molhar as folhas, pois a umidade acumulada nelas pode facilitar o aparecimento de doenças causadas por fungos.   

Poda: O Segredo para Prolongar as Cores

A poda do Amor-perfeito é um trabalho simples e delicado. A principal técnica é a chamada “poda de limpeza” ou “deadheading”, que consiste em retirar as flores que já murcharam e as folhas que estão secas ou amareladas. Esse gesto, que pode parecer apenas estético, tem uma função muito importante: ele impede que a planta gaste sua energia tentando produzir sementes e a incentiva a concentrar suas forças na criação de novos botões florais, prolongando o período de floração e mantendo o canteiro bonito por mais tempo.   

 

Crisântemo (Chrysanthemum × morifolium): A Flor do Outono que Brilha no Inverno

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Retrato da Flor

O Crisântemo é uma flor nobre, com uma história que vem de longe, lá da Ásia, onde é apreciado há séculos não só pela beleza, mas também como planta medicinal. O que impressiona no Crisântemo é sua incrível diversidade: existem variedades que parecem pompons cheios, outras que se assemelham a margaridas, e até formas exóticas como as “aranhas”, em uma vasta gama de cores. Além de tudo, é uma planta que ajuda a limpar o ar de ambientes fechados, removendo algumas substâncias químicas, um benefício comprovado em estudos.   

Ciclo de Vida

O Crisântemo é uma planta perene, o que significa que pode viver por vários anos. No entanto, muitas das variedades modernas, desenvolvidas para floradas espetaculares, são frequentemente tratadas como anuais, pois podem perder um pouco do vigor após o primeiro ciclo intenso.   

Plantio e Solo: Preparando o Berço do Crisântemo

Essa flor adora a luz do sol, mas não é fã de calor excessivo. O ideal é que receba de 5 a 6 horas de sol por dia, de preferência o sol mais ameno da manhã, ficando protegida do sol forte da tarde, que pode queimar suas folhas. O solo precisa ser rico em nutrientes e, acima de tudo, ter uma excelente drenagem para que as raízes não fiquem encharcadas, o que é crucial para uma floração saudável.   

Adubação: A Relação entre Nutrientes, Flores e Pragas

Adubar o Crisântemo é uma arte de equilíbrio. Um ponto crucial que muitos jardineiros não sabem é que o tipo de adubo influencia não só as flores, mas também a saúde da planta. O excesso de Nitrogênio (N), comum em adubos para crescimento de folhagem, pode deixar a planta mais suscetível ao ataque de pragas como os pulgões. Por outro lado, uma adubação rica em Potássio (K) é o segredo para flores maiores, mais vibrantes e uma planta mais resistente a doenças. Portanto, a recomendação é fazer uma adubação mensal durante o período de crescimento, optando por fertilizantes balanceados ou, idealmente, formulações específicas para floração, ricas em Potássio.   

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Rega: Hidratação sem Excesso

A rega deve ser moderada, geralmente de duas a três vezes por semana, mas isso pode variar muito dependendo do clima e do local de cultivo. A regra de ouro é sempre verificar a umidade do solo com o dedo: se a terra estiver seca a alguns centímetros de profundidade, é hora de regar. Se ainda estiver úmida, é melhor esperar mais um pouco.   

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Poda: A Arte de Multiplicar Flores

A poda do Crisântemo é uma técnica estratégica que, quando bem-feita, resulta em uma floração espetacular. O segredo está em entender o relógio biológico da planta. O Crisântemo floresce quando os dias começam a ficar mais curtos, com menos de 14 horas de luz, o que geralmente acontece no outono e inverno. A poda, portanto, deve ser feita em duas etapas principais:   

  1. Poda de Formação: Durante a primavera e até o meio do verão, enquanto a planta está crescendo, deve-se “beliscar” ou cortar a ponta dos ramos principais. Essa prática, conhecida como “pinching”, estimula a planta a criar novas ramificações laterais. Quanto mais ramos, mais botões de flores a planta irá produzir.   
  2. Poda de Limpeza e Renovação: Durante e após a floração, é fundamental remover as flores murchas e os galhos secos. Quando a floração terminar por completo, pode-se fazer uma poda mais drástica, cortando as hastes a cerca de 10 cm do solo. Isso prepara a planta para o período de dormência e estimula um crescimento vigoroso na primavera seguinte.   

Calêndula (Calendula officinalis): O Sol em Forma de Flor

 

Calendula Flores de Inverno: Guia Completo para um Jardim Colorido

Retrato da Flor

A Calêndula é como ter um pedacinho do sol no jardim. Com suas flores vibrantes em tons de amarelo e laranja, ela ilumina qualquer canteiro. Também conhecida por nomes como bonina ou margarida-dourada , essa planta é muito mais do que um rostinho bonito. Suas pétalas são comestíveis, podendo colorir saladas e outros pratos, e ela possui reconhecidas propriedades medicinais, sendo usada há séculos como anti-inflamatória e cicatrizante. Além disso, é uma planta rústica e de fácil cultivo, perfeita para quem está começando na jardinagem.   

Ciclo de Vida

A Calêndula é geralmente cultivada como uma planta anual. No entanto, em regiões de clima mais ameno e sem geadas fortes, ela pode se comportar como uma perene de vida curta, brotando novamente no ano seguinte.   

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Plantio e Solo: Onde o Sol Bate Forte

Como sua aparência sugere, a Calêndula é uma amante do sol. Ela precisa de, no mínimo, 4 a 5 horas de luz solar direta por dia para crescer forte e produzir muitas flores. Embora se adapte a diferentes tipos de solo, ela prospera em um terreno bem drenado e rico em matéria orgânica.   

Adubação: Nutrição para Flores e Saúde

Para garantir que a Calêndula cresça viçosa e com uma floração abundante, uma adubação equilibrada é bem-vinda. Estudos mostram que uma nutrição com foco em Nitrogênio (N) e Fósforo (P) ajuda a planta a ficar mais alta e a produzir mais flores. No plantio, a incorporação de matéria orgânica é sempre uma boa prática. Para a manutenção, pode-se usar um adubo NPK com formulação balanceada ou focado em floração.   

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Rega: Resistência à Seca, mas com Limites

A Calêndula é uma planta bastante resistente à seca, uma vez que está bem estabelecida. No entanto, regas regulares, especialmente durante períodos de estiagem, garantirão um desenvolvimento mais saudável. No verão, regar de duas a três vezes por semana costuma ser suficiente. O mais importante é evitar o encharcamento do solo.   

A poda principal da Calêndula é a remoção constante das flores murchas. Essa prática simples estimula a planta a produzir novas flores continuamente, prolongando o espetáculo em seu jardim. Se os caules começarem a crescer muito e a planta ficar com um aspecto frágil, uma poda leve pode ajudar a deixá-la mais compacta e robusta.   

Begônia (Begonia spp.): A Dama Delicada da Meia-Sombra

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Retrato da Flor

Falar de Begônia é falar de uma família imensa e diversificada, com mais de 1.400 espécies catalogadas no mundo. Elas são valorizadas tanto por suas flores delicadas quanto por suas folhagens espetaculares, que parecem pintadas à mão. Entre as mais populares estão a Begônia Maculata, com suas folhas de pintinhas brancas; a Begônia Rex, famosa pela folhagem colorida e texturizada; e a Begônia Cerosa, que tolera um pouco mais de sol.   

Ciclo de Vida

A grande maioria das espécies de Begônias cultivadas em jardins e vasos são perenes, podendo embelezar o ambiente por muitos anos se bem cuidadas.   

Plantio e Solo: O Cantinho Protegido

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As Begônias, em sua maioria, são plantas de sub-bosque, o que significa que preferem locais de meia-sombra ou luz filtrada. O sol direto, principalmente o mais forte, pode queimar suas folhas delicadas. O solo ideal para elas deve ser muito rico em matéria orgânica, poroso e com uma drenagem impecável, para evitar qualquer acúmulo de água nas raízes. Elas também apreciam um ambiente com boa umidade do ar e temperaturas amenas, entre 20°C e 28°C, e devem ser protegidas de ventos fortes e do frio intenso.   

Adubação: Alimentação Leve e Constante

As Begônias não são plantas que exigem adubação pesada, mas uma nutrição regular as mantém saudáveis e floríferas. Fertilizantes líquidos balanceados, como NPK 10-10-10 ou 20-20-20, diluídos em água e aplicados a cada 15 dias ou mensalmente durante a primavera e o verão, são uma ótima opção. Adubos orgânicos, como o húmus líquido, também são muito bem-vindos. Para uma manutenção mais leve, a adubação pode ser feita a cada três meses.   

Rega: O Ponto Crítico do Cultivo

O sucesso no cultivo de Begônias depende, fundamentalmente, de um manejo de rega cuidadoso e observador. O excesso de água é o seu pior inimigo, pois suas raízes finas apodrecem com facilidade em solo encharcado. A recomendação é manter o solo levemente úmido, mas nunca molhado. Em vez de seguir um calendário fixo, o jardineiro deve “conversar” com a planta: tocar o substrato para sentir a umidade. Se estiver seco, é hora de regar; se ainda estiver úmido, é melhor esperar. Em caso de dúvida, é sempre mais seguro esperar mais um dia. Algumas fontes até sugerem a rega por imersão, colocando o vaso em um prato com água por alguns minutos para que a planta absorva apenas o necessário.   

Poda: Apenas uma Limpeza de Rosto

As Begônias não necessitam de podas de formação complexas. A manutenção se resume a uma poda de limpeza: remover folhas amareladas, secas ou doentes, e as flores que já murcharam. Esse cuidado simples ajuda a manter a planta bonita, previne doenças e direciona a energia da Begônia para o desenvolvimento de novas folhas e flores saudáveis.   

Jasmim-dos-poetas (Jasminum polyanthum): Perfume e Poesia no Inverno

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Retrato da Flor

O Jasmim-dos-poetas é uma trepadeira perene que parece ter saído de um poema. Originária da China, ela é conhecida por seu crescimento vigoroso e rápido. Seu grande encanto está nas suas flores delicadas, que nascem de botões rosados e se abrem em estrelas brancas, exalando um perfume adocicado e inebriante, especialmente no final da tarde e durante a noite.   

Ciclo de Vida

É uma planta perene, que se bem cuidada, irá perfumar o jardim por muitos e muitos anos.   

Plantio e Solo: Dando Suporte ao Crescimento

ara que o Jasmim-dos-poetas floresça em abundância, ele precisa de um local que receba pelo menos de 4 a 6 horas de sol direto por dia. O solo deve ser fértil, rico em matéria orgânica e, como a maioria das plantas, bem drenado. Por ser uma trepadeira, é ideal para cobrir estruturas como pérgolas, treliças, muros e caramanchões, onde seus ramos podem se apoiar e criar um efeito de cascata perfumada.   

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Uma adubação regular com matéria orgânica, como composto ou húmus de minhoca, manterá a planta nutrida. Durante o período que antecede a floração, o uso de um fertilizante específico para flores pode dar um empurrão extra, garantindo um espetáculo ainda mais intenso.   

Rega: Hidratação Regular

As regas devem ser regulares, mantendo o solo sempre levemente úmido, mas sem encharcar. É importante permitir que a camada superficial do solo seque um pouco entre uma rega e outra.   

Poda: Conduzindo a Beleza

O crescimento rápido e vigoroso do Jasmim-dos-poetas é uma de suas grandes qualidades, mas também exige um compromisso do jardineiro. Se deixada por conta própria, a planta pode se tornar um emaranhado de galhos, o que prejudica a circulação de ar e a floração. Por isso, a poda anual de limpeza e formação é essencial. Após a floração, deve-se remover os galhos secos, doentes ou malformados e podar os ramos que já floriram para incentivar o crescimento de novos brotos. Além disso, é importante “tutorar” a planta, ou seja, guiar seus ramos para que eles se desenvolvam de forma harmoniosa sobre a estrutura de suporte. Essa poda não é um mero detalhe, mas uma tarefa fundamental para manter a planta sempre viçosa, saudável e cheia de flores.   

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Retrato da Flor

O Cipó-de-são-joão é uma trepadeira lenhosa e rústica, nativa do nosso Brasil. É uma planta de uma força impressionante, que colore muros, cercas e pérgolas com suas flores tubulares de um laranja vibrante, que parecem pequenas chamas. Seu nome popular vem do fato de sua floração acontecer em pleno inverno, coincidindo com a época das festas juninas, onde é muito utilizada na decoração.   

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Ciclo de Vida

É uma planta perene, muito duradoura e resistente.   

Plantio e Solo: Onde a Rusticidade Impera

Entre todas as flores de inverno, o Cipó-de-são-joão se destaca como o grande campeão da baixa manutenção. Ele é a escolha perfeita para quem quer um grande impacto visual com o mínimo de esforço. Sua rusticidade é notável: ele é pouco exigente quanto à fertilidade do solo, adaptando-se bem até mesmo a terrenos mais pobres e arenosos, desde que tenham boa drenagem. Uma vez estabelecido, torna-se muito resistente à seca, exigindo pouquíssima água. Essa característica o torna uma solução prática e inteligente, permitindo ao jardineiro mesclar plantas que exigem mais cuidados com outras que são quase autossuficientes. O único requisito não negociável para o Cipó-de-são-joão é o sol. Ele precisa de sol pleno e abundante para florescer.   

Adubação: Um Empurrãozinho para a Florada

Apesar de sua rusticidade, uma pequena ajuda na nutrição pode resultar em uma floração ainda mais espetacular. Adubos orgânicos ricos em Fósforo e Potássio, como farinha de ossos e cinzas de madeira, são excelentes para estimular a produção de flores. Esterco de gado bem curtido ou uma formulação NPK 4-14-8 também podem ser utilizados.   

Rega: Muita Água no Começo, Pouca Depois

O cuidado com a rega muda conforme a idade da planta. Quando a muda é jovem e recém-plantada, as regas devem ser diárias para ajudar no estabelecimento das raízes. No entanto, uma vez que a planta está adulta e bem desenvolvida, ela se torna muito resistente à falta de água, e as regas podem ser bem mais esporádicas.   

Poda: Apenas para Manter a Ordem

Diferente de outras trepadeiras, a poda do Cipó-de-são-joão não tem como objetivo estimular a floração, mas sim manter a planta sob controle e com uma aparência mais arrumada. A poda de contenção deve ser feita após o término da floração, para controlar o tamanho da planta e remover galhos secos ou que estejam crescendo para locais indesejados.   

Defendendo o Jardim: Controle de Pragas e Doenças com Sabedoria da Terra

Um jardim florido é um convite não só para os nossos olhos, mas também para diversos bichinhos. Ter um controle sobre pragas e doenças é parte da jardinagem, mas a abordagem mais sábia, aprendida com a observação da natureza, é que o melhor remédio é sempre a prevenção. Um jardim saudável, com uma boa diversidade de plantas, solo rico e plantas bem nutridas, é naturalmente mais resistente. Muitas vezes, um ataque de pragas é um sinal de que algo está em desequilíbrio. Em vez de correr para o veneno, o bom jardineiro primeiro se pergunta: “Por que minha planta está sendo atacada? Ela está fraca? O solo está pobre? Estou regando demais?”.   

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Oídio (praga comum, fungo). A calda bordalesa resolve este problema.

Muitas das doenças mais comuns, especialmente as causadas por fungos como o oídio (aquele pó branco nas folhas) e a podridão de raízes, são diretamente causadas ou agravadas por erros de cultivo. O excesso de rega e a falta de circulação de ar entre as plantas criam o ambiente úmido e abafado que esses fungos adoram. Portanto, a primeira linha de defesa é ajustar as práticas: regar corretamente, garantir boa drenagem e dar espaço para as plantas respirarem.   

Identificando os Invasores Comuns de Inverno

As pragas mais comuns que podem aparecer no seu jardim de inverno são os pulgões (pequenos insetos que se aglomeram nos brotos), as cochonilhas (que parecem pequenas conchas ou bolinhas de algodão), as lagartas (que comem as folhas) e doenças fúngicas como o oídio.   

Receitas Caseiras e Eficazes: A Farmácia do Quintal

Quando a prevenção não for suficiente, existem receitas caseiras e orgânicas que podem ajudar a controlar os invasores sem agredir o meio ambiente.

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Calda de Fumo

  • Para que serve: É muito eficaz contra insetos sugadores como pulgões e cochonilhas, e também contra algumas lagartas.  
  • Receita passo a passo: Pique cerca de 50 a 100 gramas de fumo de corda e coloque em 1 litro de água. Adicione um pedaço pequeno de sabão de coco ou algumas gotas de detergente neutro para ajudar a calda a grudar nas folhas. Deixe essa mistura descansar por 24 horas, depois coe em um pano fino.   
  • Aplicação: Dilua a calda coada em mais 5 a 10 litros de água e pulverize sobre as plantas afetadas, de preferência no final da tarde.

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Óleo de Neem

  • Para que serve: É um inseticida e repelente natural de largo espectro, eficaz contra pulgões, cochonilhas, ácaros, mosca-branca e muitas outras pragas.   
  • Receita passo a passo: A diluição mais comum é de cerca de 5 ml (uma colher de chá) de óleo de neem puro para cada litro de água. Adicione também 5 ml de detergente neutro ou sabão de coco líquido para ajudar a misturar o óleo na água (emulsificar). Agite bem.   
  • Aplicação: Pulverize a mistura em toda a planta, sem esquecer a parte de baixo das folhas, onde as pragas costumam se esconder. Aplique sempre no final da tarde, pois o sol forte pode queimar as folhas em contato com o óleo. Para tratar uma infestação, repita a aplicação uma vez por semana. Como preventivo, a aplicação pode ser quinzenal ou mensal.   

Pragas e Doenças Específicas das Flores do Guia

  • Amor-perfeito: É mais suscetível a doenças fúngicas e à podridão das raízes, geralmente causadas por excesso de umidade. A prevenção é a chave: garanta uma boa drenagem e não exagere na rega.   
  • Crisântemo: A Murcha de Fusarium é a doença mais séria. A prevenção envolve o uso de mudas sadias, solo bem drenado e evitar o encharcamento.   
  • Calêndula: É uma planta muito resistente. Ocasionalmente, pode ser afetada por oídio se plantada em local com pouca circulação de ar. Como vimos, ela mesma atua como repelente para outras plantas.   
  • Begônia: O oídio é uma doença bastante comum, favorecida pela umidade. Também pode ser atacada por pulgões, cochonilhas e lagartas. O controle passa por garantir boa ventilação, regar corretamente e remover manualmente as pragas visíveis.   
  • Jasmim-dos-poetas: É uma planta bastante resistente a doenças. O principal risco é a podridão das raízes por excesso de água. Uma pulverização preventiva com óleo de neem pode ajudar a manter as pragas afastadas.   
  • Cipó-de-são-joão: É extremamente rústico e raramente apresenta problemas com pragas ou doenças.   

 

Enfim…

Para facilitar a vida do jardineiro, preparamos uma tabela de consulta rápida com as principais informações de cada flor que conversamos.

Flor Ciclo de Vida Luminosidade Rega Adubo Principal Poda Essencial
Amor-perfeito Anual/Perene (cultivo anual) Sol Pleno Frequente (solo úmido) 4-14-8 / Orgânico Limpeza (flores murchas)
Crisântemo Perene/Anual Sol Pleno (manhã) Moderada (2-3x/sem) Rico em Potássio / Formação e Limpeza
Calêndula Anual/Perene Sol Pleno Moderada Rico em N e P / Orgânico Limpeza (flores murchas)
Begônia Perene Meia-sombra Moderada (evitar encharcar) Balanceado / Orgânico Limpeza (folhas secas)
Jasmim-dos-poetas Perene Sol Pleno Regular Orgânico / Para flores Limpeza e Formação/

Tutoramento

Cipó-de-são-joão Perene Sol Pleno Esporádica (adulta) Farinha de ossos / Contenção / Limpeza

A jardinagem é uma conversa contínua com a natureza, um exercício de observação, paciência e carinho. Ter um jardim florido no inverno é a prova de que a vida encontra maneiras de se expressar em todas as estações. Não tenha medo de sujar as mãos, de experimentar e de aprender com as plantas. A recompensa é um lar mais bonito, perfumado e cheio de vida, mesmo nos dias mais frios.

Pois no jardim, assim como na vida, todo tempo é tempo de florescer, basta saber onde olhar.

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Após uma vida completamente urbana, eu meu esposo e meus quatro filhos (ainda pequenos) decidimos mudar radicalmente: largar tudo e morar no campo. Quero aqui compartilhar um pouco de minhas experiências, aprendizados e novas paixões!

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